A cilada da pejotinha

Conversar sobre oportunidades profissionais é algo comum. Todo mundo tem um amigo desestimulado com o emprego, um colega que deseja um aumento, um conhecido que quer prestar serviços para mais clientes… Após iniciar esse bate-papo indicando potenciais mudanças e desafios, a conversa migra rapidamente para aspectos financeiros.

Nada mais comum do que comparar o dinheiro que cai na conta todo mês como empregado versus a vantagem de receber a remuneração líquida maior sem vínculo trabalhista. Especialmente entre as pessoas mais jovens, há a preferência pelo salário líquido maior, mesmo que desprovido de qualquer proteção da legislação trabalhista e previdenciária.

Para prosseguir com o projeto de “ganhar mais” – renunciando a 13º salário, férias, seguro desemprego, FGTS e outros benefícios – muitos abrem a sua “pejotinha”, aquele apelido carinhoso dado às empresas ou MEIs abertas por profissionais com o intuito de obter o seu CNPJ, emitir nota fiscal para o cliente e pagar menos tributo. Resultado: mais dinheiro na conta no primeiro momento.

Lei do Jogo - meme pejotinha cilada

Como o título antecipa, essa opção da pejotinha pode ser uma grande cilada. Sou entusiasta do empreendedorismo e acho que muitas vezes as pessoas optam pelo modelo “mais ou menos” (pejotinha) por falta de conhecimento. No ebook gratuito, compartilho exatamente o passo a passo para viabilizar uma empresa de verdade.

Empresas são instrumentos para uma vida mais autônoma, permitem aumentar a sua atuação profissional, com um crescimento exponencial de lucratividade. Para quem empreende, prender-se a um emprego pode significar uma limitação de voo e de receita.

Optar pela pejotinha para continuar a atuar sob a mesma lógica de empregado não parece ser o caminho para o sucesso profissional. Você está temporariamente incrementando a sua conta corrente, mas mantendo a mesma dinâmica restritiva. Lembro dos requisitos clássicos do direito do trabalho para reconhecimento de vínculo empregatício: pessoalidade, habitualidade, subordinação e onerosidade. Todos preenchidos pela pejotinha…

Recebi um comentário interessante no post que tratei sobre a Ltda. e o MEI. O Mayck Xavier escreveu que recentemente passou a se posicionar como empresa.

“Eu não sou um programador que emite notas fiscais, e sim uma empresa”, disse Mayck ao se reposicionar no mercado.

Essa mentalidade é essencial para o sucesso do empreendimento, saindo dos limites do cliente original (chefe).

O profissional liberal encontra com a sua empresa mais eficiência e autonomia, entregando aos clientes um serviço melhor e mais rentável. Mas para isso não basta ter um CNPJ. É preciso efetivamente se posicionar no mercado como uma empresa – mesmo que de uma pessoa só na prática. As vantagens econômicas são excelentes e devem estimular o empreendedor rumo a um crescimento sustentável e efetivo.

O empregado não tem autonomia e o empregador precisa geri-lo. O jogo da empresa prestadora de serviços é diferente. A prestadora de serviços possui autonomia para entregar o escopo contratado ao cliente, enquanto que o contratante se preocupa com o resultado e não com a gestão (micromanagement) da atividade.

Em outro post futuro falarei novamente de riscos trabalhistas para quem contrata a pejotinha. Mas hoje eu quero falar para os empreendedores atuais e potenciais: não caia na cilada do pejotinha, mas aproveite a oportunidade comercial para alavancar o crescimento do seu negócio!

 

E aí? Vale a pena ser pejotinha? O que você acha?

Você pode mandar perguntas e comentários aqui no post ou nas redes sociais. Vamos juntos dominar a #LeidoJogo.