Olha quem voltou: o caso Wizard

Se você comprasse o Facebook e pagasse uma fortuna ao seu fundador, ficaria contente ao ver o Mark Zuckerberg abrindo outra rede social em seguida? Você pode imaginar que muitos seguiriam o americano na nova plataforma, tornando o seu investimento menos interessante.

Como tentar evitar isso? Adotando uma cláusula de não-concorrência.

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Quando há uma empresa de destaque no mercado, você pode atuar de duas formas para empreender no mesmo segmento: concorrer com a empresa referência ou comprá-la.

No mundo dos negócios, a opção de adquirir a empresa consolidada é interessante, pois o comprador já entra na empresa faturando, com clientes e reputação. O problema é que o comprador sempre paga um valor alto na operação (prêmio), pois precisa convencer os donos atuais a vender algo que é lucrativo e valioso.

Como somos seres racionais, o comprador somente paga o que ele espera recuperar em breve, com as atividades da sua nova empresa. Mas há situações em que o comprador superestima o resultado futuro da empresa adquirida.

Caso Wizard

Recentemente li uma nota na Exame que me causou perplexidade.

No fim de 2013, o curso de idiomas Wizard foi vendido para o grupo inglês Pearson por R$ 2 bilhões. Após ficar um tempo fora do negócio de ensino de línguas, o fundador do Wizard – Carlos Wizard Martins – está planejando o lançamento da sua nova escola de idiomas no mesmo formato de franquias que ele usou para montar a Wizard.

Operações desse porte costumam contar com muitos advogados e executivos experientes, que sabem do risco do fundador recriar a sua obra prima após vendê-la pela primeira vez. Por isso, inserem no contrato de venda uma cláusula de não-concorrência.

A cláusula de não-concorrência prevê que o fundador e demais pessoas relacionadas ao negócio vendido não podem participar de outras empresas no mesmo setor por um determinado período. Essa cláusula costuma impedir tais pessoas de atuarem em empresas concorrentes em qualquer modalidade de colaboração (sócios, diretores, consultores, empregados, prestadores de serviço) e muitas vezes estende tal restrição a familiares.

No caso da Wizard, a Pearson queria impor uma restrição de 10 anos ao fundador Carlos Martins, mas ao término da negociação o contrato foi assinado com prazo para apenas 3 anos. Ou seja, Carlos Martins estará livre para abrir a sua nova escola no começo de 2017 e recrutar os seus antigos franqueados.

Segundo a Exame, “ele poderá aproveitar uma vulnerabilidade da Pearson: os contratos da empresa com os franqueados duram, em média, quatro anos. Após esse período, eles podem simplesmente trocar de rede e aderir ao novo grupo Martins”.

Contrato: é melhor ter!

Muitos empreendedores ignoram a importância dos contratos em seus negócios.

Quando nos deparamos com situações desfavoráveis em uma relação (por exemplo, quando o cliente não paga a fatura), lembramos que um contrato poderia ser útil para proteger o seu crédito e facilitar a cobrança, eventualmente com juros e multas previstas no seu acordo escrito. Mas a natureza estratégica do contrato vai além.

Conforme visto recentemente no caso do milk shake de Ovomaltine, um contrato pode ser crucial para o seu negócio, pois as cláusulas adotadas – cláusula de não concorrência, no caso Wizard acima – podem gerar valor para uma das partes, representando parte fundamental da sua estratégia empresarial.

E você?

Impressionante, né? Gostou desse post? Deixe o seu comentário sobre o caso Wizard e se você usa contratos em suas relações com clientes e fornecedores.

Vamos juntos dominar a #leidojogo.